Devocionais da Semana 08-14 de fevereiro de 2026

Devocionais da Semana

Domingo, 08/02: Provando os Espíritos.

Leitura Diária: I João 4:1-3

Em I João 4, o apóstolo do amor nos adverte sobre a necessidade de provar os espíritos, para saber qual a procedência deles. Ele aprofunda a relação entre o cristão, Deus, o amor e o próximo. Falando sobre a necessidade de que o amor por Deus seja comprovado pelo amor ao irmão.

Ele fala dos espíritos dos mestres de forma semelhante ao que Paulo disse sobre os espíritos dos profetas em I Coríntios 14:32. Isso não se refere, à possessão demoníaca, mas a mestres que induzem ao erro. Os cristãos possuem o Espírito Santo (I Jo.3:24), mas os falsos profetas obedecem a espíritos malignos. O verdadeiro profeta recebe revelações diretas de Deus. O falso profeta alega ter recebido revelações diretamente de Deus, mas, na verdade, promove ideias errôneas. O teste para saber se a pessoa está sendo guiada pelo Espírito Santo é conferir se as crenças dela concordam com a verdade da Palavra de Deus (I Jo.2:22; I Co.12:3).

Ao dizer que Jesus Cristo veio em carne parece um teste direcionado aos docéticos, eles eram seguidores de uma corrente teológica cristã dos primeiros séculos que defendia que Jesus Cristo não possuía um corpo físico real, mas apenas uma aparência humana ou um corpo “fantasmagórico”. Esta doutrina, conhecida como Docetismo, é considerada uma das primeiras heresias contra a qual a igreja primitiva lutou, surgindo do dualismo gnóstico que separava o mundo espiritual (bom) do material (mau).

O teste também poderia ter como alvo os seguidores de Cerinto, que era um falso mestre do tempo de João e alegava que Jesus e Cristo eram seres independentes; um físico, e outro espiritual. Ele negava a encarnação do verbo, ensinando que o Cristo divino desceu sobre o Jesus humano quando este foi batizado e, depois, deixou o corpo de Jesus antes de Sua crucificação (I Jo.2:22). Essa doutrina ainda é defendida por uma seita de grande influência em nossos dias, inclusive tem o costume de batizar em nome de “Jesus Filho, Pai, Espírito Santo e Cristo”.

Nessa carta, porém, João tem o cuidado de empregar o nome e o título de Jesus Cristo juntos para expressar claramente que os dois títulos se reúnem numa única pessoa. Ele ensina que Jesus não entrou num ser humano preexistente, e sim que Ele veio como ser humano. O tempo grego do verbo “veio” e o sentido do substantivo “carne” indicam que Jesus não só veio como ser humano, mas que também ainda era um ser humano quando João escreveu esta epístola. Deus Filho possui eternamente a plena divindade e a plena humanidade. Ele é imortal e recebeu um corpo humano ressurreto que não envelhece nem morre. Negar essa verdade é negar que o mestre seja Deus.

 

Segunda-feira, 09/02: Sois de Deus.

Leitura Diária: I João 4:4-9

“Filhinhos, sois de Deus” essa frase significa mais do que pertencente a Deus, indica que a fonte original da postura e das atitudes do leitor era Deus (I Jo.2:19). Nós nos identificamos ou com Deus, ou com o diabo depende a quem obedecemos. Podemos reconhecer os falsos mestres e recusarmos a segui-los. O que está em nós é o Espírito Santo. O que está no mundo é o diabo (I Jo.5:19).

A terceira pessoa do plural apresentado no versículo 5 se refere aos falsos profetas, que possuem o espírito do anticristo. Os falsos mestres, integrando-se ao sistema do mundo governado por Satanás, são aceitos pelo mundo. O mundo crê em seus ensinamentos falsos e recebe-os em comunhão. Isso é o contrário dos Apóstolos de Cristo que só encontram aceitação entre os que conhecem a Deus. Aquele que conhece a Deus ouve o que os apóstolos têm a dizer. É justamente nisso que temos os dois testes ao espírito: A confissão de Jesus como o Cristo, o Filho de Deus que veio em carne; e a aceitação do ensinamento dos apóstolos.

O amor de uns aos outros, prova nosso nascimento espiritual e nossa relação com Deus, pois passamos a fazer parte de um mesmo corpo. E isso se deu pelo novo nascimento, não mais da carne, mas do Espírito, o que nos remete à conversa de Jesus com Nicodemos em João 3:3-6. Todo aquele que nasceu de novo, conhece a Deus, o que nos remete às palavras de Jesus em João 14:7.

Conhecer a Deus, não é saber que Ele existe, mas refere-se a um conhecimento íntimo e não a mera informação sobre Deus. É impossível conhecer a Deus com intimidade sem amar outras pessoas, porque Deus é amor. Aquele em quem Deus está reflete Seu caráter. Afirmar conhecer a Deus e ao mesmo tempo não amar os outros é mentir. O amor de Deus por Seus filhos ficou nitidamente demonstrado pelo suplício de Jesus na cruz em nosso favor.

“Seu Filho unigênito” exprime a noção da singularidade, não um nascimento literal (Hb.11:17). João é o único escritor do Novo Testamento que chama Jesus por esse título (Jo.1:18; 3:16,18). Em outras palavras, Jesus é o Filho único de Deus; nenhum outro é filho de Deus da forma como Ele o é.

O discípulo amado, está nos ensinado com paciência e mansidão, nos provando e demonstrando o amor de Deus por meio de seu Filho o qual Ele enviou para nossa salvação. Não podemos simplesmente dar crédito a qualquer espírito que nos fala, mas temos de prová-los se eles provêm ou não de Deus, mas, como os provaremos? Por meio de seu Filho! Falar em Deus e em seus atributos, mas negar o Filho não é fazer parte de Deus. É preciso confessar que Jesus veio em carne! Toda pregação que não conduz o ouvinte a Cristo não é pregação, mas um discurso que pode ou não ser agradável, porém, não gera salvação das vidas.

Cristo era totalmente humano, e qualquer pessoa que ensine algo diferente disso segue o espírito do anticristo.

Deus demonstrou Seu maravilhoso amor por nós ao enviar o seu Filho para se tornar carne. Temos que aprender a demonstrar o mesmo tipo de amor uns pelos outros. Deus é amor, e a principal preocupação de João era que seus leitores entendessem que o ato de Deus de enviar seu unigênito Filho ao mundo foi a manifestação suprema do amor.

 

Terça-feira, 10/02: O amor de Deus.

Leitura Diária: I João 4:10-13

Deus preparou a provisão para nossas necessidades, simplesmente porque Ele nos amou de tal forma que não existe no mundo outro amor maior que este, e essa é uma exortação a recordar quando estivermos tentados a não exercer o amor. Nosso amor não deve ser um mero sentimento. Deus pede para nos doarmos pelo bem dos outros, assim como Ele se doa. Amar os outros e professar a fé ortodoxa evidenciam uma relação viva com Deus, com Ele habitando em nós e nós, n’Ele.

A comprovação de que estamos n’Ele, e Ele em nós (I Jo.3:24) é o habitar um no outro o que remete à comunhão que temos com Deus como produto de nossa salvação. A prova de que Deus habita em nós e nós n’Ele é a experiência do Espírito Santo em nós.

No restante dessa passagem do capítulo 4, João explica como o cristão pode saber que o Espírito está operando em sua vida. Ele argumenta que o amor humano diminui em importância quando comparado ao amor que Deus demonstrou a nós e por nós. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados

A lógica de João é que se Deus assim nos amou, devemos também amar-nos uns aos outros. O amor de Deus deveria influenciar os cristãos a amarem-se mutuamente. Tanto amor foi demonstrado aos cristãos que eles não devem hesitar em mostrar o amor pelos outros.

O Espírito de Deus, que é amor, vive no interior dos cristãos. Como resultado, a vida dos cristãos deveria ser caracterizada pelo amor às outras pessoas. Os cristãos amam porque indiretamente quem os ama está dentro deles. Deus pode ser visto indiretamente no fruto do amor que seu Espírito produz em nós. Ninguém jamais viu a Deus e, no entanto, devemos amá-lo acima de todas as coisas e como será esse amor se não demonstrarmos isso com nossos irmãos feitos à sua imagem e semelhança?

 

Quarta-feira, 11/02: Confiança na encarnação.

Leitura Diária: I João 4:14-15

João garantiu aos seus leitores que eles poderiam confiar no seu testemunho de que Jesus era realmente Deus em carne, e por isso ele mostra verdades claras que ninguém podia contestar: Deus nos deu do seu Espírito; Ele tinha visto e testificado que o Pai tinha enviado. Quem confessa o Filho, Deus e o seu Espírito permanecessem nele. Deus é amor; e quem permanece em amor, permanece em Deus e Deus nele.

João faz referência a ele mesmo e às outras testemunhas oculares de Jesus. Embora Jesus tenha vindo como Salvador do mundo, isso não quer dizer que todo mundo esteja automaticamente salvo, o que fica claro no versículo 15. A profissão sincera da fé indica que aquele que professa está salvo. Para ser cristão, a pessoa deve crer que Jesus é o Filho de Deus.

O amor de Deus transforma aqueles nos quais o amor habita, criando neles o amor por Deus e pelos outros.

Novamente João trabalha a ideia de que Deus é amor! Com isso, ele não quis dizer que qualquer pessoa que ame algo ou alguém vive em Deus. Ele tinha em mente o tipo de amor que já havia afirmado: o amor dentro da comunidade cristã. Repare que ele trabalha em seus leitores a ideia do dia do juízo preparando-os para manterem a fé. Novamente enfatiza quão importante é o amor ao se referir ao julgamento final.

Embora eles não sejam como Cristo em termos de perfeição em sua obediência, mas tinham as suas orientações básicas, e permaneciam como Cristo em comparação com o mundo em geral (Jo.5:44; 17:16). Isso acontece por causa do seu Espírito que em nós está. Assim, no amor não existe o medo! O amor de Deus é perfeito em si, e é também implicitamente perfeito (completo) quando os cristãos o recebem. Os cristãos em si, no entanto, são aperfeiçoados (completos) no amor de Deus no devido tempo. Mesmo assim, o resíduo do medo pode temporariamente coexistir com o amor. O “perfeito amor” de Deus “lança fora o medo” gradualmente, não instantaneamente.

 

Quinta-feira, 12/02: Vivendo no amor de Deus.

Leitura Diária: I João 4:16-18

O versículo 16 faz paralelo com o que vimos no versículo 14. “Está em amor” significa que o cristão vive dentro da esfera do amor de Deus. Esse amor é vivenciado e expresso por intermédio da vida do cristão.

Quando exprimirmos um amor maduro uns pelos outros e compreendermos o amor de Deus para conosco, vivenciaremos a certeza da salvação.

Dos versículos 16b ao 21, João vai falar do viver no amor de Deus. A expressão madura do perfeito amor produz confiança, já que o cristão está antevendo o Dia do Juízo, quando Jesus julgará o mundo. A pessoa que permanecer no amor não ficará envergonhada quando Jesus voltar (I Jo.2:28; Jo.15:9-17), essa passagem nos remete ao que o próprio Jesus disse em Mateus 25:31-46.

 

Sexta-feira, 13/02: Deus é amor.

Leitura Diária: I João 4:19-20

Quando alguém diz ser cristão mais demonstra a falta de amor pelos demais cristãos nega o amor por Deus. A comunhão com Deus se dá a conhecer por nossa confissão de Jesus como o Cristo, por nossa obediência a Ele, e nosso amor aos irmãos.

No vs. 20, ele foi de uma clareza fenomenal. Se alguém afirma que ama a Deus e odeia a seu irmão, como nele o amor de Deus se aperfeiçoa? João esclarece que quem não ama a seu irmão, ao qual vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele antecipou uma objeção para sua ênfase no amor entre os cristãos. Alguns poderiam dizer que eles amam Deus apesar do fato de não amarem uns aos outros. João negou totalmente essa possibilidade. Seus antagonistas não conseguiam ver que amar o Deus invisível é muito mais difícil do que amar as pessoas visíveis. O amor de um cristão por Deus inevitavelmente transborda no amor pelas outras pessoas. João afirmou aqui que o amor pelas pessoas é uma prova essencial do amor a Deus.

 

Sábado, 14/02: Os dois maiores mandamentos.

Leitura Diária:  I João 4:21

No versículo 21, João aludiu ao ensino de Jesus de que o maior mandamento deve estar junto com o segundo maior mandamento (Mt.22:38-39). Os dois são inseparáveis. O próprio amor às outras pessoas brota do amor de Deus.

Além do cuidado de sempre estar nos querendo conduzir ao Filho, essa é outra característica forte em João, a questão do amor, não do amor de palavras, mas pela demonstração e pela prática com relação aos nossos irmãos. A lógica é perfeita e o argumento bem contundente. Se abrigamos o ódio ou se há em nós intrigas e não o amor, é claro que estamos perdidos e não conhecemos o Salvador! Ele conclui o capítulo mostrando que isso é necessário porque Deus é amor, e nos provou esse amor. A crucificação de Jesus é a prova do amor de Deus por nós.

Confessar “que Jesus Cristo veio em carne”, possui um significado muito maior do que simplesmente n’Ele crer. Confessar o nome de Jesus envolve um compromisso de vida ou morte. E, na época em que João escreveu, a acentuada perseguição provava quem realmente era de Deus. Dar ouvidos a esta mensagem, portanto, não era apenas uma questão de aceitar o evangelho, mas de vivê-lo conforme as verdades reveladas. Decisão esta que exigia fé, coragem e principalmente a abnegação da própria vida. Não há nada melhor para demonstrar isso do que o maior dos dons, aumentado e aperfeiçoado na vida cristã, isso promove o sublime e indispensável conhecimento de Deus, o conhecimento que supera todos os demais e blinda a mente contra “o espírito do erro”. Podemos dizer que o amor é a fé em ação, como bem escreveu o apóstolo Paulo: “a fé que atua pelo amor” (Gl.5:6). Entretanto, este amor produzido pela fé em Cristo, é manifestado em nós através de um ato que antecedeu a nossa fé: “em haver Deus enviado o Seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio d’Ele”. Ou seja, é um amor que não vem de nós; um amor que está além do nosso alcance; um amor extravagante em graça; “é dom de Deus” (Ef.2:8).

E “se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros”. O fato de jamais termos visto a Deus e, ainda assim, declarar amá-Lo, só se torna uma verdade quando permitimos que o Espírito Santo derrame em nosso coração o amor de Deus e este amor seja revertido, por preceito e por exemplo, na vida de outros. Há no mundo um equivocado conceito de amor que acaba por confundir a muitos. Amor não se resume a gracejos e atitudes isoladas de simpatia. “Deus é amor”, e esta verdade, por si só, deveria despertar em nós um senso urgente de meditar na vida de Cristo e nela buscar a essência do evangelho.

Resumindo, “nós amamos porque Ele nos amou primeiro”. Simples assim. O amor de Deus na vida promove o amor altruísta; amor que regenera, cura, perdoa e salva. Que pela comunhão diária, perseveremos em ser aperfeiçoados no amor pela oração e pelo estudo das Escrituras. Sejamos, pois, vasos de honra cheios e transbordantes do amor divino! “Que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão”.

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