Devocionais da Semana 25-31 de janeiro de 2026

Devocionais da Semana

Domingo, 25/01: Obediência é prova de amor a Deus

Leitura Diária: I João 2:1-6

No capítulo 2 de sua primeira carta, o apóstolo João inicia ensinando que amor a Deus e obediência estão completamente ligados. Não há como dizer que ama a Deus e viver de maneira que o desagrade.

Preocupado como um pai, o velho apóstolo chama afetuosamente seus leitores de filhinhos. Ele é um apóstolo já de idade avançada com a preocupação de um pai. As declarações que faz sobre o pecado tem o objetivo de conscientizar os cristãos do perigo constante que ele representava e deixá-los em contínua vigilância.

Os botes salva-vidas estão no navio não para afundá-lo, mas por precaução no caso de ele afundar. Segundo a gramática grega, o “se alguém pecar” passa o sentido extra de que se presume que todos pecamos. Esta afirmação não é um incentivo ao pecado, e sim um alerta a todo cristão para que fique em guarda contra tendências pecaminosas. Entendemos que como nosso Advogado perante o Pai Jesus Cristo faz a intercessão por nós. Quando pecamos, Jesus nos representa como nosso Advogado para com o Pai, para defender nossa causa na corte celeste. Satanás, por outro lado, é o acusador dos cristãos (Zc.3; Jó 1:6-12; Ap.12:10).

A propiciação introduz o tema da remoção piedosa da culpa por meio do perdão divino. No Antigo Testamento em grego (a Septuaginta), o termo propiciação era usado para o propiciatório sacrificial onde o sumo sacerdote depositava o sangue das ofertas israelitas (Ex.25:17-22; I Cr.28:2). Ao ver esses sacrifícios, a ira justa de Deus era desviada de Israel. Aqui, pela intercessão de Cristo por nós, os salvos e comprados pelo seu precioso sangue, a ira de Deus contra o pecado é aplacada. Ao vir ao mundo como homem, Deus tornou-se receptor de Sua própria ira e dos meios de conceder libertação dessa ira. Jesus Cristo tornou-se esse sacrifício ao morrer e aplacar a ira de Deus na cruz. O sacrifício da vida sem pecado de Jesus foi tão eficaz que gerou perdão para todo o mundo (II Co.5:14,15,19; Hb.2:9). A morte de Cristo é suficiente para todos, mas só é eficiente para os que creem n’Ele. Nem todos serão salvos, mas Jesus oferece salvação a todos (Ap.22:17).

O Novo Testamento fala que conhecer a Deus pode ser entendido em dois sentidos. A pessoa que confiou em Cristo o conheceu (Jo.17:3), ou seja, foi apresentada a Ele. Porém, alguém que já foi apresentado ao Senhor também pode tornar-se amigo íntimo d’Ele (Fp.3:10). Aqui João fala de conhecer a Deus intimamente. Em toda a carta o apóstolo usa conhecer nesse segundo sentido. Por exemplo, ele diz que todos os que amam nasceram de Deus e conhecem a Deus (I Jo.4:7), e quem não consegue amar ao seu irmão prova que na verdade não conhece a Deus (I Jo.4:8). Portanto, em I João conhecer a Deus é conhecê-lo com intimidade. A certeza de que o cristão conseguiu mesmo tornar-se íntimo de Deus é sua disposição e vontade de obedecer aos mandamentos d’Ele. A desobediência demonstra a falta de conhecimento pessoal de Cristo. Alegar que se conhece a Cristo e continuar a desobedecer à Sua Palavra é mentir.  Não só a discrepância entre palavras e ações faz do indivíduo em questão um mentiroso, como também demonstra que a verdade não é uma influência predominante na vida do tal (I Jo.1:6,8,10).

Contrastando com o mentiroso, guardar os mandamentos de Deus demonstra uma relação válida com Cristo e que o amor de Deus se expressa integralmente no cristão. O termo aperfeiçoado transmite a ideia de maturidade e completude. O amor do cristão por Deus cresce conforme ele guarda a Palavra de Deus, e assim também vai ficando muito mais evidente a todos o amor de Deus por ele. E ainda mais, o cristão começa a saber, por meio da experiência, que está em Deus. Isso significa que a obediência a Deus na vida desse cristão será cada dia mais plena. Estar n’Ele é obedecer continuamente a Ele. Transmite a noção de estabelecer-se em Cristo ou de descansar n’Ele. Evidencia-se por uma vida vivida segundo o exemplo de Cristo.

Essa admoestação a viver segundo Jesus ensinou revela que a obediência provém de nós mesmos. Os escravos têm de seguir as ordens de seus donos, senão são castigados. Os assalariados precisam cumprir suas tarefas ou serão despedidos. Mas o cristão, sendo filho de Deus, tem de obedecer a Deus porque deseja fazê-lo. Seguir as pegadas daquele que morreu por nós deve ser um prazer e não uma obrigação.

 

Segunda-feira, 26/01: O dever de amar ao irmão.

Leitura Diária: I João 2:7-11

O amor que dedicamos a Deus leva-nos a amar ao nosso irmão, pois isso faz parte de Seus mandamentos. Muitos cristãos vivem em guerra com outros, por muitos motivos. Isso não é agradável ao Senhor. Ele tem prazer na nossa comunhão. Esse é o motivo pelo qual o autor insiste em que o teste da intimidade e do conhecimento pessoal é obedecer aos mandamentos de Cristo. Mas quais seriam eles? João enfatiza que não tem em mente nenhuma nova orientação, mas sim aquilo que os cristãos conhecem desde o princípio (I Jo.2:24; 1:1; 3:11; II Jo.5). Essa é uma referência ao mandamento da Lei de Moisés. O mandamento novo a que João se refere é o amor em um patamar maior do que aquele da Lei, isso segue ao mandamento de Jesus de amar uns aos outros (João 15).

Pode ser que João esteja simplesmente repetindo o que Cristo disse em João 13:34, quando Ele chama o amor recíproco de “novo” mandamento que deu a Seus discípulos. Moisés disse: amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lv.19:18). Jesus disse: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei, que também vós uns aos outros vos ameis (Jo.13:34). É por aí que o mundo saberá que pertencemos a Cristo.

Esse é o maior argumento do cristão, e é essencial ao avanço do Reino de Cristo. Esse amor agora é estendido até mesmo aos inimigos.

O mandamento do amor atingiu sua maior e mais plena expressão na vida de Cristo. Ele demonstrou o que é o amor verdadeiro vindo ao nosso mundo e dando Sua vida por nós. Os cristãos devem seguir Seu exemplo supremo. “Sabemos que o novo mandamento está valendo porque vão passando as trevas, e já a verdadeira luz alumia”.

Odiar o próprio irmão contraria o ensinamento de Cristo de amarmos uns aos outros. A ideia de que a pessoa possa odiar seu irmão e ainda assim alegar ter comunhão com Deus demonstra que as trevas cegaram o cristão para a verdade, ele perdeu a perspectiva espiritual e o senso de direção (II Pd.1:9). Quem ama seu irmão caminha na luz de Deus e não tem a pedra de tropeço interna que o faz recair em todo tipo de pecado.

 

Terça-feira, 27/01: Recomendações aos pais e aos jovens.

Leitura Diária: I João 2:12-14

João, então prossegue dando recomendações aos pais, as crianças e aos jovens. Aqui contêm dois grupos de três itens cada, descrevendo os leitores de João como filhinhos, pais, crianças e jovens. Essas três categorias de itens não são nem grupos etários nem de estágios espirituais. Parece que cada grupo faz referência a todos os leitores de João. Por exemplo: vistos como crianças pequenas, eles sabem que seus pecados estão perdoados. Vistos como pais, não só sabem que têm um relacionamento com Deus como também têm o conhecimento de Deus que vem de obedecer a Seus mandamentos. Vistos como jovens, eles são fortes. A repetição na tríade é para efeito enfático. João argumenta que o objetivo de ter escrito a epístola era o progresso espiritual deles.

 

Quarta-feira, 28/01: Não devemos amar o mundo

Leitura Diária: I João 2:15-17

Nesses versículos o apóstolo nos alerta sobre o fato de que não devemos amar o mundo. Pois tudo o que há no “mundo”, o sistema de pecado dominado pelo diabo, não provém do Pai.

Tendo reafirmado seus laços espirituais com veemência, ele alerta os leitores a respeito dos perigos que rodeiam os cristãos, apesar de seu estágio na caminhada em Cristo. Amar o mundo nega o amor por nosso santo Deus e identifica-nos com um sistema fadado à condenação.

Não ameis o mundo poderia ser reformulado como “parem de amar o mundo”. Os leitores de João estavam agindo de forma incoerente com o relacionamento com Cristo. Mundo, aqui, é o sistema moralmente corrupto em oposição a tudo o que Deus é e preza. Nesse sentido, o mundo é o sistema satânico que se opõe ao Reino de Cristo na terra.

O amor direcionado a Deus em resposta ao amor que Deus sente por nós faz com que seja impossível amar o mundo e amar a Deus ao mesmo tempo (Tg.4:4). O mundo é caracterizado pelas concupiscências da carne, dos olhos e a soberba da vida. Essas três concupiscências, têm sido interpretadas como correspondentes às três diferentes formas como Eva foi tentada no jardim (Gn.3:6), ou às três diferentes tentações por que Cristo passou (Lc.4:1-12). Porém, João provavelmente estava citando uma pequena lista das tentações que poderiam atrair os cristãos e levá-los para longe do Deus amoroso. A concupiscência da carne se refere ao desejo por prazeres pecaminosos, principalmente os de natureza sexual. A concupiscência dos olhos se refere à ambição ou ao materialismo. A soberba da vida se refere ao orgulho que a pessoa sente de sua situação no mundo.

Quando ele diz que o mundo passa, está ressaltando a brevidade da vida. Ser consumido por esta vida é estar despreparado para a vindoura. Por isso é uma tragédia investir nossos recursos no que não há de durar.

 

Quinta-feira, 29/01: Confessando Jesus Cristo publicamente.

Leitura Diária: I João 2:18-23

Como crentes em Cristo que já fez a decisão de tê-lo como Salvador e Senhor, não devemos nos envergonhar d’Ele, pelo contrário devemos fazer confissão pública do seu nome, palavra e ensino. Por isso é que João entra nos bastidores do sistema do mundo falando do diabo, o deus deste mundo, e de seus porta-vozes, os anticristos. O anticristo faz-se revelar por sua negação do fato de Jesus ser o Cristo.

João vê o surgimento de pessoas dentro da comunidade cristã que negam a verdade de Cristo como indício do princípio do fim de todas as coisas. Não devemos tomar “hora” como símbolo de um período determinado, e sim indeterminado. A contagem regressiva de Deus já começou, mas Ele não conta o tempo como nós (II Pd.3:8). Qualquer tentativa de datar o fim do mundo ou a volta de Cristo está condenada ao fracasso e costuma levar a proclamação de Cristo ao ridículo.

Anticristos são aqueles que procuram ocupar o lugar de Cristo. Os muitos anticristos são os falsos mestres a quem João se opôs nesta carta. Eles lembram os falsos cristos sobre os quais Jesus alertou os discípulos (Mt.24:24). Quando estivermos esperando pela volta de Jesus Cristo a qualquer momento, os falsos cristos começarão a aparecer em número cada vez maior. Eles saíram do meio dos cristãos, porque não pertenciam à comunidade cristã; nunca tinham sido verdadeiros cristãos, eles na verdade nunca foram convertidos, nunca foram salvos. A unção do Espírito Santo é a proteção dos cristãos contra esses falsos mestres, e nessa unção, e na Palavra de Deus o cristão tem toda a verdade de que precisam para resistir aos anticristos.

Uma das principais heresias que a Igreja do século I enfrentou foi o gnosticismo, cujos seguidores alegavam possuir conhecimentos secretos da verdade que levavam à salvação. Aqui, João estava opondo-se a esse ensinamento ao reafirmar que todos os cristãos conheciam a verdade. Como apóstolo, ele estava simplesmente os lembrando aquilo que já sabiam, sem agir como fonte exclusiva da verdade.

Negar a divindade de Jesus é o mesmo que negar o Pai e o Filho. Nas epístolas de João, negar que Jesus é o Cristo inclui negar que Ele veio em carne (I Jo.1:1-3; 4:3; II Jo.1:7) e esse era uma das muitas heresias do próprio gnosticismo. A pessoa não pode adorar a Deus negando a Jesus plena divindade e plena humanidade.

 

Sexta-feira, 30/01: A promessa da vida eterna.

Leitura Diária: I João 2:24-26

Nesses três versículos João afirma que se os seus leitores deixassem as verdades do evangelho permanecer neles, também permaneceriam no Filho e no Pai. Aqui novamente não se trata de uma referência à vida eterna, mas a uma verdadeira comunhão com Deus.

A mensagem que desde o princípio ouvistes era que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus que viera ao mundo em carne (I Jo.1:1-3). Se os leitores resistissem às mentiras dos anticristos e se apegassem às verdades que haviam aprendido desde o início, continuariam a ter comunhão com o Filho e com o Pai. Isso lhes trariam a segurança de que Jesus Cristo foi quem prometeu que a herança eterna está garantida. A vida eterna trata tanto da qualidade da vida presente, cheia da alegria, como da promessa de uma futura vida na eternidade.

 

Sábado, 31/01: A unção que nos ensina.

Leitura Diária:  I João 2:27-29

Tudo o que João fala nessa carta é para nos dar o entendimento de que tudo o que fizermos será com a unção que temos recebido de Cristo e que nos ensina todas as coisas. Por isso é que devemos basear nossa caminhada com o Senhor na verdade que Ele nos concedeu. Os cristãos que conhecem os estatutos e desejos de Deus, mas deixam de praticar tais verdades, não alcançarão a maturidade em Cristo (Hb.5:11- 6:12). Como Deus é reto, a filiação divina dos cristãos fica patente por meio da vida reta, que inclui amar os irmãos e crer de forma ortodoxa na divindade de Jesus. Esse trecho passa da ênfase de João na comunhão à certeza da salvação. Ele exortara seus leitores a permitir que aquilo que haviam ouvido desde o princípio habitasse neles, e os aconselha a permanecer no próprio Cristo. Se permanecermos em Cristo, evitaremos constrangimentos por ocasião de Sua volta. Como Deus é justo, quem pratica a justiça será reconhecido como nascido de Deus.

A mensagem aqui é que, quando o filho manifesta os traços de caráter do pai, percebe-se que ele é mesmo filho daquele pai. Na ótica de João viver como filhos de Deus, traz como primeira implicação que os cristãos devem lutar pela pureza e pela justiça. Devemos permanecer n’Ele para que quando Ele se manifestar, ou seja, quando ocorrer o retorno de Cristo, nós sejamos encontrados fiéis a Ele.

Os cristãos devem esforçar-se para viver em obediência a Deus para garantir que eles não precisarão ser envergonhados no dia do julgamento, quando cada pessoa terá de prestar contas (Rm.14:12). Por isso é que devemos mesmo tomar cuidado, pois poderemos ser envergonhados diante d’Ele na sua vinda. Essa vinda, refere-se ao retorno visível e final de Cristo no final dos tempos, quando Ele voltará como juiz. Aqueles que “permanecem n’Ele” pela confiança na mensagem do evangelho não precisam temer a condenação (Jo.3:17-18).

Eu fico imaginando, como posso conter tamanho conteúdo em mim, miserável pecador, sem explodi-lo por onde quer que eu ande e esteja. É muita glória a nós reservada que não pode mesmo ser comparada a leve (por pior que seja) e momentânea tribulação presente. 

Se sabemos que Ele é justo, sabemos também que todo aquele que pratica a justiça é nascido d’Ele. Esse final do capítulo, João introduziu a ideia de que, se vivermos como filhos de Deus, é logico então concluir que teremos o caráter justo de Deus. Se Deus é justo, então é impossível que alguém que não seja justo tenha nascido d’Ele (I Jo.3:7). Se uma pessoa recebeu de Deus uma nova vida, então essa nova vida será distinguida pela retidão. Mais uma vez, ele não estava falando da perfeita impecabilidade, mas de um estilo de vida caracterizado pela obra santificadora do Espírito. O sinal em João de que andamos em santidade com o Senhor, e aguardando a sua vinda é a nossa vida exercitada na prática da justiça. A recompensa que herdamos é a vida eterna.

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