Devocionais da semana 18-24 de janeiro de 2026
Devocionais da Semana
Domingo, 18/01: Autoridade do testemunho de João
Leitura Diária: I João 1:1
Em I João 1, o apóstolo começa falando
sobre a autoridade do seu testemunho. Ele escreve acerca daquilo que ouviu,
viu, contemplou e tocou com as mãos, isto é o Senhor Jesus Cristo.
Ao usar a expressão “o que era desde o
princípio”, ou seja, aquilo que não “começou a ser”, e que sempre existiu, o
apóstolo relembra o que já havia escrito no Evangelho de João, “No princípio
era a Palavra” (Jo.1:1). Ao referir que “nossas mãos tocaram” ele recorda de
Tomé e os outros discípulos em ocasiões distintas que após a ressurreição
tocaram Jesus e confirmaram sua Ressurreição. O próprio João havia se apoiado
no peito de Jesus na instituição da Ceia do Senhor. Com isso ele nos apresenta
Jesus como o Verbo de Deus., ou seja, Jesus é a Palavra de Deus, encarnada. Ele
á a revelação de Deus e o próprio Deus. O Verbo de Deus participou ativamente
da criação de todas as coisas e as mantém, ainda hoje. Em sua encarnação Ele, a
verdadeira luz, abriria o entendimento da humanidade sobre Deus, que desde os
tempos antigos vem esclarecendo vários mistérios e abrindo as portas para
outros. Como João fora testemunha ocular de todos estes fatos do evangelho,
tendo visto, ouvido e tocado n’Aquele que foi desde o princípio, seu objetivo
ao escrever, portanto, era o de trazer a mensagem do verdadeiro Deus, o qual
ele apresenta como sendo a Luz do Mundo. Se quisermos ter comunhão com Ele,
devemos andar em luz, como Ele é luz. Em todas as suas cartas ele chama os
seguidores de Jesus a participarem da vida e amor de Deus, dedicando-se a
amarem uns aos outros. E aqui, nos primeiros versículos, nos mostra semelhanças
com o prólogo do seu próprio Evangelho (Jo.1:1-18). No entanto, enquanto no
Evangelho ele ressalta a natureza metafísica de Jesus, o Verbo, esses
versículos ressaltam sua experiência pessoal com esse Verbo encarnado. A
lembrança de Jesus Cristo estava ainda muito vívida na mente de João enquanto
ele refletia sobre os três anos e meio que ele e os demais discípulos passaram
junto ao Senhor. Agora ele queria assegurar-se de que as igrejas sob seu
cuidado teriam essa mesma comunhão com o Senhor ressurreto e com outros
discípulos.
Temos, portanto, uma das declarações da
missão desta carta, a comunhão, porém, a maior parte dos estudiosos vê I João
5:13 como a principal declaração de missão da epístola, ressaltando a
necessidade de crer em Cristo para obter a salvação eterna. Na verdade, ambos
os objetivos são trabalhados na carta. Vemos isso quando observamos: à
revelação sobre Cristo; aos ensinamentos de Cristo; à vida eterna manifestada
por Cristo; ou, o Cristo em pessoa.
Nas palavras “... o que ouvimos, o que
vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam”,
indicam que se trata da pessoa de Jesus Cristo. Ao se referir ao “princípio”
pode estar aludindo à criação ou ao início do ministério de Cristo. Se for à
criação, é semelhante à declaração a respeito de Cristo e à criação no
Evangelho (Jo.1:1). Mas se for uma referência ao princípio do ministério de
Cristo, é semelhantemente a I Jo.2:7,24 e 3:11.
João trata ainda da perigosa
disseminação das influências apóstatas na Igreja. Ele advertiu os santos para
não se associarem às trevas e para permanecerem na segurança da luz do
evangelho. Estudar I João pode ajudar-nos a ter um discernimento maior dos falsos
ensinamentos sobre Jesus Cristo. Seguir seus conselhos nos ajudará a manter uma
forte comunhão com o Senhor ao permanecer na verdade. Além disso, vai
ajudar-nos a entender o grande amor que o Pai Celestial tem por todos os Seus
filhos, que Ele manifestou ao oferecer Seu Unigênito Filho, Jesus Cristo, como
sacrifício por toda a humanidade.
Segunda-feira, 19/01: Andar na luz para
ter comunhão com Deus.
Leitura Diária: I João 1:3-4
A primeira mensagem que I João deseja
transmitir é que Deus é luz. Se queremos ter intimidade e compromisso com Deus
precisamos, também andar na luz como Ele está na luz.
Como vimos na devocional de ontem, umas
das razões principais porque João escreve é orientar seus leitores quanto ao
que devem fazer para ter comunhão com os apóstolos e com Deus. Comunhão
transmite tanto a ideia de um relacionamento positivo compartilhado pelas
pessoas como a participação em um interesse ou objetivo comum. A comunhão
promovida por João não é apenas vertical, entre o cristão e Deus, ele escreve
que os cristãos podem ter comunhão uns com os outros movidos pela comunhão que
tem com Deus em Jesus Cristo. Como ele considerava que seus leitores seriam
cristãos (I Jo.2:12-14), não devemos interpretar ter comunhão como sinônimo de
ser cristão. Se os falsos mestres, contra os quais ele escreve, tiverem um
excessivo impacto sobre os leitores, estes podem não conseguir manter os laços
de comunhão nem a alegria cristã, pois serão levados a uma falsa comunhão com
esses falsos mestres. Sendo assim, ele escreve para lhes dizer a verdade de que
precisam para conservar seu relacionamento com o povo de Deus e com os
apóstolos.
No começo Deus criou Adão e Eva, e eles
não tinham qualquer pecado e viviam em comunhão com seu Criador (Gn.3:8). Contudo, eles pecaram ao comerem o fruto da
árvore do conhecimento do bem e do mal e ficaram espiritualmente separados de
Deus (Gn.2:16-17; 3:11-12). Além de
perderem sua comunhão com Deus, eles também foram expulsos do Jardim do Éden. A
Bíblia é a história do desenvolvimento do plano de Deus para restaurar a comunhão
d’Ele com o homem. Deus não deseja estar
afastado do homem, e assim ele providenciou, através de Jesus Cristo, um meio
do homem ser restaurado na comunhão com seu Criador.
A comunhão divina é um privilégio, mas
precisamos entender como é estabelecida e mantida. O apóstolo João escreveu o
seguinte: “Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é
esta: que Deus é luz, e não há nele
treva nenhuma. Se dissermos que mantemos
comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a
verdade. Se, porém, andarmos na luz,
como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus,
seu Filho, nos purifica de todo pecado” (I Jo.1:5-7). O homem não pode caminhar na escuridão, isto
é, viver no pecado, e ter comunhão com Deus. A pessoa que vive em santidade
está caminhando na luz, como estavam Adão e Eva antes de seu pecado.
Terça-feira, 20/01: Deus é Luz.
Leitura Diária: I João 1:5-6
Deus é luz por natureza, em Seu ser
essencial, bem como também é Espírito (Jo.4:24) e amor (I Jo.4:8). Luz
refere-se ao caráter moral de Deus. Não há n’Ele treva alguma. Deus é santo,
intocado por qualquer tipo de mal ou pecado. Como Deus é luz, quem deseja ter
comunhão com Ele também deve brilhar com essa luz; como Ele é santo também que
quiser ter comunhão com Ele deve ser puro.
Os versículos 6 a 10 contêm três
contrastes entre palavras e obras, ou entre dizer uma coisa e fazer outra.
Depois de cada comparação há o produto da ação. A primeira falsa alegação é a
de que temos comunhão com Deus ao mesmo tempo em que não refletimos Seu caráter
moral. “Andarmos” refere-se a uma forma de vida ou prática cotidiana. Andar em
trevas significa viver contrariamente ao caráter moral de Deus, viver em
pecado. Alegar ter comunhão com Deus sem levar uma vida moral correta nem
praticar a verdade é viver uma mentira, pois Deus não pode comprometer Sua
santidade sendo complacente com o pecado.
João, o apóstolo amado, escreveu sua
primeira epístola para alertar sobre os falsos mestres que ensinavam que Cristo
não tinha verdadeiramente vindo em carne e incentivavam um estilo de vida que
não era apropriado para os seguidores do Cristo encarnado. Jesus está sempre
atento às nossas vidas, interessa-se por nós e toma a iniciativa de nos
encontrar a fim de nos anunciar a sua palavra. Aqueles que são dele, o ouvirão
e o obedecerão; os demais, o rejeitarão.
Podemos, entretanto, ver aqui nesse
capítulo que Deus é luz e que n’Ele não há trevas alguma e assim por Ele ser
luz, a comunhão resplandece e conseguimos nos relacionar exercitando o perdão,
bem como nossos pecados são postos a luz e podemos enxergar nossos erros em
nosso relacionamento tanto com Deus como com os irmãos.
João afirma que escrevia essas coisas
para que “a nossa alegria fosse completa”, ele provavelmente estava se
referindo a si mesmo e ao seu grupo. Por isso mostrou que, por causa do que
sabia de seus leitores, ele ainda não estava cheio de alegria. No entanto, se
eles entendessem as suas instruções, cressem nelas e as seguissem, o seu
regozijo seria completo. Os cristãos deveriam regozijar-se pelo que havia de
louvável nos companheiros cristãos, bem como entristecer-se pelas suas
imperfeições (I Co.12:26-27; I Ts.3:6).
Quarta-feira, 21/01: Confissão de
Pecados
Leitura Diária: I João 1:7
Andar na luz é viver de tal forma que se
esteja iluminado pela verdade da pessoa de Deus. João não disse “conforme” a
luz, o que implicaria uma exigência de perfeição livre de todo pecado.
Quando a conduta do cristão reflete o
caráter moral de Deus, assim é possível uma verdadeira comunhão com os demais
cristãos. No entanto, nossa comunhão com Deus depende de andar na luz de Deus,
onde o pecado fica evidente, pois a luz mostrará nosso desvio. Essa
evidenciação nos permite permanecer limpos perante Ele, pois isso nos levará ao
arrependimento e retorno a santidade. Só o sangue de Jesus Cristo pode
purificar-nos de todo pecado, tornando possível aos cristãos imperfeitos manter
a comunhão com um Deus santo. Isso ocorre primeiramente por meio do
reconhecimento de que somos pecadores. Não podemos cair na tentação de achar
que somos perfeitos, mais santos que qualquer outro cristão. Devemos confessar
os nossos pecados e manter sempre a consciência dependente de Deus, dessa forma
o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado e temos comunhão com Deus.
Quinta-feira, 22/01: Somos pecadores.
Leitura Diária: I João 1:8
A segunda declaração falsa é a de que
não temos pecado. A ideia passada por João nessa declaração “se dissermos” é de
que nossa natureza peca. Dizer que não pecamos é nos enganarmos (II Cr.6:36;
Jo.9:41). O fato de não termos consciência do pecado não significa que
estejamos livres dele, é muito fácil encobrir o pecado (Pv.28:13). Não
enganamos os outros, pois eles costumam ver-nos com clareza, o problema é não
nos vermos como somos de verdade. Todo cristão pode identificar-se com Davi
porque ele é um excelente exemplo do crente que cometeu um grande pecado, mas
não via que era pecador. Ele tentou continuar agindo como o ungido do Senhor
sem ter a Sua bênção. Quando o profeta Natã o confrontou, Davi indignou-se com
o homem que tirou e matou a ovelha de outro homem, mas ainda assim não enxergou
a si mesmo na história de Natã (II Sm.11: 12). A verdade é a revelação de Deus,
que diz exatamente o contrário do que pensamos sobre nós mesmos, e nos revela
quem nós somos e é isso que nos levará ao arrependimento e confissão. Não ter
pecado é não precisar de um Salvador, o que tornaria a vinda de Jesus
desnecessária.
Embora João use mais a primeira pessoa
do plural (nós) para se referir a si próprio e aos outros apóstolos como
testemunhas oculares de Cristo, aqui o tratamento abarca todos os cristãos que
confessarem o pecado. Deus diz que somos pecadores e precisamos do perdão.
Confessar é concordar com Ele, admitir que somos pecadores e que necessitamos
de Sua misericórdia. Se o cristão confessar seus pecados a Deus, Ele purificará
toda injustiça. Deus pode conservar Seu caráter perfeito e ainda assim nos
perdoar por causa do sacrifício perfeito e justo de Jesus.
Sexta-feira, 23/01: Arrependimento.
Leitura Diária: I João 1:9
Aquele que pertence a Deus tem que estar
sempre pronto para se arrepender de qualquer pecado cometido em sua vida e
confessá-lo, buscando o perdão. Deus deseja que seus filhos tenham comunhão uns
com os outros. A comunhão com outros
homens depende de nossa comunhão com Deus, como foi observado anteriormente,
pois nos tornamos filhos de Deus, e nos tornamos parte de uma irmandade
espiritual. Há sentidos no qual todos os
filhos espirituais de Deus compartilham: uma fé comum e uma salvação comum
(Tt.1:4; Jd. 3). Assim como Deus não
terá comunhão com o pecado, também nós precisamos recusar participação no erro
(Ef.5:11). Se confessarmos os nossos pecados, depositando a nossa confiança em
Cristo, somos justificados e perdoados no tribunal do céu (Rm5:1; I Jo2:12).
Sábado, 24/01: Negar o pecado.
Leitura Diária: I João 1:10
Dizer que não temos cometido pecado é
uma negação explícita de ter cometido atos pecaminosos, e nesse caso a Palavra
de Deus não está em nós. Essa é outra falsa alegação de quem não vive
verdadeiramente na luz de Deus. Essas palavras advertem contra qualquer
alegação de que os cristãos possam viver sem pecar nesta vida. Deus nos chamou
para a comunhão e não para intrigas, nem para rachas, nem para divisões. Quando
achamos que o outro tem de mudar para podermos ter comunhão é porque ainda
somos meninos e não aprendemos a amar. Lembre-se sempre: “Nunca é o outro que
precisa mudar quando você decide amar”. Podemos admitir que temos uma natureza
pecaminosa e, ainda assim, negar qualquer pecado pessoal e, portanto, a
necessidade de confissão. Em outras palavras, a pessoa que nega pecar não tem a
Palavra de Deus transformando sua vida. Quando o homem peca, seu pecado o
separa de seu Criador e ele não pode gozar da comunhão com Deus (Is.59:1-3;
Am.3:3). Deus não será parceiro no pecado, se andarmos nas trevas, teremos de
andar sem Deus!
Felizmente, Deus providenciou o meio
para o homem ser justificado. Para todos
os que têm pecado, a comunhão com Deus só é possível através da fé, isto é,
através do evangelho. Somente aqueles
que foram perdoados de todos os pecados podem ser participantes com Deus. Podemos ser perdoados de nossos pecados
através do sacrifício de Jesus Cristo, uma manifestação da graça de Deus
(Rm.3:21-26; 4:5-8, 23-25; 5:1-2; 6:17-18).
Quando somos batizados em Cristo,
demonstramos que deixamos o império das trevas e somos transportados para o
reino da luz (Gl.3:26-27; Cl.1:13).
Tornamo-nos partes da família espiritual de Deus e estabelecemos uma relação
de comunhão com o Pai, com Jesus Cristo e com todos os cristãos que constituem
esta irmandade (Jo.3:3-5; I Pd.1:3). Uma vez que tenhamos estabelecido esta
relação espiritual com nosso Pai do céu, tornamo-nos participantes da divina
natureza, isto é, temos que ser santos como aquele que nos chamou é santo (I
Pd.1:15-16; II Pd.1:4; Hb.12:10).
Tornamo-nos participantes dos sofrimentos de Cristo quando suportamos a
perseguição por sua causa (I Pd.2:21; 4:13; II Co.1:5). Tornamo-nos
participantes com nossos companheiros cristãos na meta comum de glorificar Deus
(Ef.3:20-21; I Pd.2:9). É por isso que devemos vigiar e orar para não cair em
tentação. Se vigiarmos e orarmos constantemente, será impossível cair em
tentação, pois estaremos sempre no espírito vivendo debaixo da luz de Deus. Se
buscamos andar na luz nós iremos nos achegar a Deus, confessar os nossos
pecados e ser libertos de toda impureza. Quanto mais permitirmos que o Espírito
viva na nossa vida, mais as trevas deixaram de fazer parte em nossa mente e
coração, pois as trevas não podem resistir a luz do Espírito. Por fim, andar em
Espírito fará com que a nossa purificação seja completa e perfeita.
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